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ausência insaciável

Durante todos esses anos você marcou minha vida. Essa afirmação me assusta até hoje, mas eu não poderia encontrar outras palavras que resuma todo esse tempo. Eu não sei mais nada sobre você, mas te desejo as melhores versões de si. Qual foi o fim daquela fotografia que eu te dei? Fiquei me perguntando durante muito tempo essa incógnita e criei várias hipóteses... quando pensei em tudo que eu queria te dizer – se um dia fosse possível, eu nunca conseguia terminar, por demasia ou vergonha, medo ou excesso de loucura eu não alcançava todas as palavras... Nada que eu vá dizer justifica minhas ações tóxicas e egoístas que eu já tive com você, pensar nisso me rasga até hoje e talvez eu nunca vá me perdoar por isso. Compartilho do mesmo questionamento que Clarice Lispector usa em um dos seus textos “O que é o que é?”, quando uma pessoa já partiu do seu mundo há anos e você não deixou um dia sequer passar sem lembrar da sua ausência, como se chama o que sinto? Difícil não foi te ver indo e...

talvez um dia o sol volte a brilha

talvez um dia o sol volte a brilha.  enquanto isso,  eu fico aguardando no mesmo banco que um dia foi chamado de nosso.  nem o sol bate mais, até o vento foi embora daqui o que eu  faço   com todo esse sentimento? nem saudades resta mais, só o tempo ainda permanece aqui e há de permanecer a eternidade.

MORTO

De tantas incertezas no meio do vazio,  o peito não arde mais a ferida não dói o sangue não escorre a luz não acende,  a escuridão és minha alma  é onde o coração acomoda-se sem medo,  em um sono profundo ele descansa sem peso, e em um estalar de dedos ele se liberta ele ganha cores ganha raízes  pulsa usando toda sua força resiste a cada disparo persiste a cada fraqueza e não desiste a cada fim... 29/03/17

Coração

               "Querida antiga pedra de dor, consolo suas perdas,  invoco seu mais puro desejo  de convalescer,  mesmo que  muitas vezes não foi destemido  diante a vida Cansei-me de ver a fragmentação  da sua alma vigorosamente fraca,  sua discrepância diante de si,  sua paixão mútua na predileção  oculta e abstrata Desculpe-me por ter escondido  o recôndito das suas palavras,  sou insano por obrigaste a afligir-se,  mas você foi insaciável diante  as leis humanas,  e coube a mesma fazer  uma triste colisão de tudo que conseguiu  ser tangível por você um dia"

Beijo de março

                                        Nos olhos que reluzia  pro peito invadia A boca cedia pra onde terminaria vazia.

Só outro dia

Eu não estava simpatizada hoje Nada me definia Nada me ajudava Meu vazio estava inalienável e elevado  Meus neurônios faziam isso intencionalmente  Eu me subdividia  Havia na minha mente uma parte intrínseco de mim mesmo Ele se alimentava de saprófagos E isso doía Meus poucos pensamentos de esperança sobre mim Eram estraçalhados Pobre mente evasiva.